APRESENTAÇÃO

Estima-se que, ao longo de quase quatro séculos, mais de de 11 milhões de africanos tenham sido trazidos para a América como escravos. Cerca de 4 milhões, para o Brasil. Coube a essa multidão suportar a parte mais difícil da construção do Novo Mundo: o trabalho mais duro, a carga mais pesada, a violência mais brutal. Os anos se passaram, o trabalho escravo deixou de ser a opção mais rentável e a escravidão foi legalmente banida. Como resultado de acontecimentos tão terríveis, ainda hoje os descendentes dos antigos escravos representam uma parcela significativa da população mais pobre e marginalizada do Brasil. Entretanto, essa não é a única parte da história, apesar de ser a mais conhecida, pois, do período escravocrata até o presente, muitos também encontraram caminhos para superar as dificuldades. Insubmissos, criativos e disciplinados, esses homens e mulheres viveram histórias vitoriosas.

Dentre os limitados caminhos disponíveis aos escravos ou seus descendentes para alcançar a liberdade e prosperar, alguns foram especialmente importantes. Alguns deles utilizaram a criatividade e sensibilidade para dar vida a obras de artes visuais ou musicais que mudaram a trajetória das artes no Brasil. Outros se engajaram em lutas, fugas, revoltas, criaram organizações de ajuda mútua, conseguindo superar a opressão. Houve também os que, munidos apenas da própria fé, se tornaram líderes espirituais para milhares de brasileiros. E ainda os que tiveram acesso ao conhecimento, por meio da tradição ou da ciência e, sabendo aproveitar essa oportunidade, prosperaram como empresários, cientistas, intelectuais.

Todas as histórias contadas aqui se passam na Bahia, especialmente em Salvador e cidades do Recôncavo. A razão é simples. Durante os primeiros séculos da colonização, Salvador era a capital do Brasil e também uma das  cidades mais importantes das Américas. Como o sistema escravocrata dominava, a população da cidade era, em sua maioria, formada por africanos e brasileiros negros e mestiços. O censo realizado em Salvador em 1807 contabilizou 50% de negros, 22% de mulatos e apenas 28% de brancos. Um predomínio que, aliás, se mantém até hoje. Por isso é que surgiram lá tantas expressões culturais de matriz africana que depois se espalharam por todo o país, como o samba-de-roda, a culinária afro-brasileira, a capoeira, o candomblé. Por isso aconteceram lá tantos episódios importantes para a história do negros. Assim, conhecer essas histórias é também conhecer melhor o Brasil.

Nos textos a seguir, você vai conhecer as histórias de vida de alguns desses homens e mulheres, do passado e do presente, que souberam escrever a própria história. Alguns alcançaram relativa fama, outros permanecem anônimos. Ao longo de vários anos, consultando livros, teses, artigos, acervos de centros de pesquisas, reportagens, entrevistando especialistas e, principalmente, ouvindo muitos relatos orais, reuni as informações que estou aqui dividindo com você. Torço para que essas narrativas sejam tão inspiradoras para você quanto foram para mim. Principalmente porque, mesmo não sendo heróis nem perfeitos, os protagonistas dessas histórias demonstram que, se não se pode mudar o passado, o futuro, em contrapartida, depende do que nós façamos dele.

Agnes Mariano
São Paulo – 2011

19 respostas em “APRESENTAÇÃO

  1. Espero que estas linhas seja importantes para o povo negro.
    1) Quem são os negros? são africanos? claro que não, áfrica é um continente.
    os negros são HEBREUS, sim, descendentes daquele povo que atravessou o mar vermelho com moisés.
    2) então porque dizem que são afro-brasileiro? Porque não querem que saibam a verdade, afinal das contas são os verdadeiros Yashorul (israelitas)
    3) Em quem eles criam? eles criam no Todo poderoso Yahushua (jesus),quanto estas outras religiões que eles chamam de afros, foram introduzidas no povo para que eles se
    esquecessem do eterno Criador, essas religiões vieram do paganismo.
    4) agora já sabem a verdade ,inclusive que seus antepassados adoravam ao salvador Yahushua, que levará os remanescentes de volta, portanto voltem-se para ele.
    5) uma coisa a mais: os índios também são HEBREUS, portanto, irmãos de vocês.

  2. Sou leitora deste Blog e admiro as publicações,porque antes de qualquer crítica pejorativa em relação a seguidores ou adeptos da Religião de origem africana, saibam-se quantos entenderem que qualquer tipo de leitura é essencial para aumentar o aprendizado do ser humano. Por outro lado deixando a parte o saber científico, pessoas bem instruídas não perderão seu tempo com comentários maliciosos sobre a decisão de cada qual seguir a Religião da sua escolha.
    A África é um continente vasto e historicamente chamado de O Berço das Religiões,quando surgiu o Cristianismo e sua filosofia a manifestação da religião de culto aos ancestrais já estava instituída há muito tempo,segundo as Escriturações de cunhos tradicionais e culturais dos Povos daquela época,portanto aos seguidores do Cristianismo nossos profundos respeito,pois a Religião de origem negra de culto aos Ancestrais ainda sobrevive porque nós náo ficamos tentando provar nada para ninguém!
    Parabéns as edições constantes e esclarecedoras sobre nossa religião,e é de muita importância esclarecer que chamamos de religião Afro- Brasileira,porque adotamos seus costumes e tradições e estamos procurando através da tecnologia e da Comunicação fazer com que pessoas menos esclarecidas tenham conhecimentos teóricos sobre uma religião tão amplamente difundida,hoje, em todo o mundo.
    Quer queiram ou não continuaremos sobrevivendo e o mais importante,não estamos tentando nem convidando ninguém para esclarecer nada,apenas quem se interessa leia.
    Parabéns Agnes Mariano,excelente trabalho.

  3. Conhecer o passado, as origens do nosdo povo, nossa terra é fascinante!
    Mesmo com toda dor, com todo ardor,o brilhantismo da coragem da fé.
    Salve o povo chamado “Humanidade”…

  4. tenho uma amigo que faz muito tempo que ele tinha me dito que o negro são os verdadeiros hebreus. ele com muita coragem publico um livro o titulo do livro e condigo de isaca.

  5. Amo minha Bahia e sobretudo Salvador. Até hoje tenho saudades dela e qdo volto a primeira coisa que peço é de ir sentir os cheiros da nossa cozinha (como uns 3 acarajes e um abara) que modestia parte, aprendi a cozinha bem no exterior e convida a meus amigos para conhecerem os encantos de nosso povo. Mas o que mais me chama a atençao é a fromaçao do povo afro-brasileiro, isso sim é encantador. Ah Salvador da magia e de todos estes personagens tao importantes na minha formaçao pedagogica e historica. Bahia te amo e parabens por este site!!!!

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