Há muitas formas de aprender: ler, ouvir, observar, praticar. Em busca de conhecimentos, homens e mulheres africanos e brasileiros percorreram todos esses caminhos, sempre com disciplina. Algumas mulheres encontraram esse saber na tradição. Fizeram de um fardo – a profissão de cozinheira – um poder. Aproveitando ingredientes e técnicas africanas, aprendidas com as mães e amigas, elas criaram aqui a culinária afro-brasileira. O sabor conquistou a todos e proporcionou a muitas dessas quituteiras, como as baianas de acarajé, a tão sonhada liberdade, independência financeira e até prosperidade. A fabricação desse bolinho ainda segue a receita tradicional e envolve tantos cuidados e mistérios que foi reconhecida como Patrimônio Imaterial do Brasil. Em outro texto, contaremos a história de homens que encontraram esse conhecimento nos livros, nas universidades e no autodidatismo. São engenheiros, médicos, advogados, escritores e cientistas sociais que realizaram obras fundamentais para o Brasil. Mesmo em um país escravocrata, onde quase todas as portas estavam fechadas, eles descobriram os caminhos para o crescimento. Há ainda uma entrevista com o pesquisador Waldeloir Rego e o perfil de uma antiga parteira, filha e neta de escravos.
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